Por Volker Sadowsky
Antigamente, um carteiro entregava uma encomenda na porta de casa. Essa era, mais ou menos, toda a jornada pós-centro de distribuição para cada encomenda.
Ah, como os tempos mudaram! Em muitos aspectos, para melhor. O número de encomendas que precisam ser entregues explodiu. Uma boa notícia para as empresas de CEP. Mas, com o aumento dos negócios, surgiram novos desafios. Um dos principais é a última milha.
A entrega na última milha é a etapa final na rede de empresas de CEP. É todo um ecossistema que leva uma variedade de produtos às portas dos consumidores — ou muito perto delas. No mercado atual, a última milha representa uma parcela muito grande do custo e do trabalho envolvidos na entrega de encomendas. Portanto, a última milha apresenta uma grande oportunidade de melhoria no setor.
Uma dimensão verde
Há 15 anos, as pessoas raramente recebiam encomendas. Isso mudou drasticamente.
Tomemos o Reino Unido como exemplo. Cada pessoa recebe aproximadamente 25 encomendas. Não ao longo da vida, mas anualmente. Como resultado, a rede de distribuição no setor de CEP precisou crescer. É difícil alcançar as pessoas em suas portas, então as operadoras de CEP tiveram que pensar em uma solução diferente. Uma que desse ao cliente uma sensação semelhante de receber encomendas perto de casa, mas que não fosse tão exigente em termos de entrega.
As caixas de encomendas ou estações de coleta foram uma das primeiras iniciativas a surgir. Uma boa alternativa para entregar cada encomenda na porta, mas não uma solução perfeita. O número de estações de coleta aumentou tão rapidamente que, de certa forma, trouxe os mesmos desafios das entregas na porta. Por exemplo, os caminhões ainda precisam circular por toda a cidade, o que nos leva à dimensão climática da última milha.
Com o aumento das encomendas, cada vez mais caminhões circulam pelas cidades, especialmente as grandes cidades. Este é um desenvolvimento que os políticos preocupados com o clima não estão muito satisfeitos. Por exemplo, algumas das maiores cidades da Alemanha – incluindo Hamburgo, Stuttgart e Aachen – implementaram na primavera de 2019 proibições de circulação para certos veículos a diesel, incluindo caminhões. Em geral, a UE está apoiando uma série de projetos que visam tornar o setor de logística sustentável e eficiente no uso de recursos.
Com um número crescente de grandes cidades europeias tentando minimizar o tráfego, parece provável que acabemos vendo empresas especiais consolidando as entregas de todas as empresas de CEP, para cuidar da última milha nos centros das cidades. Este é um desenvolvimento desejável – em termos de redução do tráfego – mas não é isento de custos da perspectiva das empresas de CEP. Com uma estrutura como esta em vigor, as empresas de CEP teriam dificuldades para manter o contato próximo com o cliente final, que é um dos parâmetros onde elas podem realmente fazer uma diferença competitiva.
O aspecto climático, no entanto, é apenas uma das razões pelas quais as empresas de CEP sentem a pressão para apresentar soluções alternativas para a última milha.