ISO 27001 e IEC 62443: uma combinação poderosa para a cibersegurança aeroportuária
A IEC 62443 é uma norma específica que se concentra na cibersegurança de sistemas de automação e controlo industrial. Ela fornece diretrizes e melhores práticas para proteger esses sistemas contra ameaças e ataques cibernéticos, incluindo requisitos para proteger todo o seu ciclo de vida, desde o design e desenvolvimento até a implementação e manutenção.
Embora ambas as normas, ISO 27001 e IEC 62443, sejam reconhecidas internacionalmente e priorizem a cibersegurança e a segurança da informação, elas diferem em escopo. Apesar das suas diferenças, a ISO 27001 e a IEC 62443 enfatizam a importância da avaliação e gestão de riscos, bem como a necessidade de um processo de melhoria contínua para manter a segurança.
“A certificação ISO 27001 abrange o comportamento humano, incluindo como agimos, como trabalhamos e como concluímos tarefas para garantir que não estamos a apanhar pen drives de estacionamentos ou a envolver-nos em outros comportamentos de risco”, afirma Per Engelbrechtsen, Diretor de Desenvolvimento de Negócios da BEUMER Group. “Além do aspeto do comportamento humano, há também um foco na segurança do produto”.
Em contraste, a IEC 622443 descreve como os produtos devem ser construídos e os níveis de segurança necessários para o que é entregue aos clientes. Esta é a combinação dos dois aspetos, com um focado na segurança do produto e o outro em como a organização se comporta.
“Ambos os aspetos, segurança do produto e comportamento humano, são importantes para a cibersegurança”, continua Per Engelbrechtsen.
Os fornecedores podem procurar a certificação IEC 62443 submetendo-se a uma auditoria por um organismo de certificação acreditado que verifica se os seus produtos ou serviços cumprem os requisitos técnicos e as diretrizes de implementação estabelecidas na norma.
Fazer parceria com um fornecedor certificado ISO 27001 e adotar as normas IEC 62443 pode oferecer vários benefícios a um aeroporto em termos de cibersegurança e segurança da informação.
Um fornecedor certificado ISO 27001 pode fornecer ao aeroporto um sistema de manuseio de bagagem confiável e seguro, construído e mantido de acordo com as normas internacionais de segurança da informação. O fornecedor teria implementado um sistema de gestão de segurança da informação abrangente para identificar e mitigar potenciais riscos de segurança, bem como medidas para garantir a confidencialidade, integridade e disponibilidade das informações.
A adoção das normas IEC 62443 pode fornecer ao aeroporto uma estrutura abrangente para proteger o seu IACS contra ameaças e ataques cibernéticos. Isto inclui diretrizes e melhores práticas para proteger todo o ciclo de vida do IACS, desde o design e desenvolvimento até a implementação e manutenção. Ao implementar as normas IEC 62443, o aeroporto pode reduzir o risco de ameaças e ataques cibernéticos, proteger a sua infraestrutura crítica e garantir a continuidade dos negócios.
“A ISO 27001 pode ser vista como uma estrutura ampla para a cibersegurança, enquanto a IEC 62443 fornece uma abordagem mais específica”, afirma Ibrahim Memis. “No entanto, estas duas estruturas funcionam bem juntas porque as diretrizes da IEC permitem a implementação dos requisitos da ISO de uma forma mais direcionada e precisa.”
Ele enfatiza que as preocupações com a cibersegurança aeroportuária devem começar no nível mais alto de qualquer organização
“A estratégia de cibersegurança é uma preocupação da gestão de topo e um tópico estratégico que deve ser integrado na organização”, afirma. “Um fornecedor certificado pode usar estruturas e normas existentes, como a ISO 27001 como base, e personalizá-las para atender às necessidades em questão. Como cada organização é única, é fundamental integrar a segurança perfeitamente na infraestrutura de TI interna e no portfólio de produtos externo. A segurança não deve ser tratada como um complemento, mas como um componente integrado da organização.”
Cibersegurança, IA e a Internet of Things
A ascensão da Internet of Things (IoT) – uma rede de dispositivos físicos, veículos, eletrodomésticos e outros itens que são incorporados com sensores, software e conectividade, permitindo-lhes coletar e trocar dados – teve um impacto significativo nas infraestruturas de TI e de Tecnologia Operacional, particularmente na indústria da aviação.
Os ambientes de Tecnologia Operacional consistem em hardware, software e componentes de rede que são projetados para fins específicos e exigem conhecimento e habilidades especializados para operar e manter. Devido à sua natureza crítica e potencial impacto na segurança pública e na economia, os ambientes de Tecnologia Operacional estão sujeitos a riscos e desafios de segurança exclusivos.
Nos aeroportos, os dispositivos IoT estão a ser cada vez mais usados para gerir e otimizar as operações aeroportuárias, como manuseio de bagagem, fluxo de passageiros e gestão de instalações. Esses dispositivos geram grandes quantidades de dados que podem ser usados para melhorar a eficiência do aeroporto e aprimorar a experiência do passageiro.
No entanto, a adoção generalizada de dispositivos IoT também cria novos riscos de cibersegurança para os aeroportos, particularmente porque muitos desses dispositivos estão conectados às infraestruturas de TI e de Tecnologia Operacional. Isto significa que um ataque cibernético a um dispositivo IoT pode potencialmente comprometer as infraestruturas de TI e de Tecnologia Operacional, levando a interrupções operacionais e outras consequências negativas.
Além dos riscos de hacking de IoT, securing as informações geradas por ativos operacionais, como sistemas de manuseio de bagagem (BHS), também é fundamental. Os dados gerados por BHS, por exemplo, incluem informações confidenciais de passageiros e outros dados operacionais que devem ser protegidos contra acesso e uso indevido não autorizados.